terça-feira, 3 de maio de 2011

Conversas de elevador

Sempre achei constrangedor pegar elevadores cheios. Isso porque as conversas de elevador, de um modo estranho e inespecífico, revelam como somos superficiais e fragmentados. É impossível criar laços nos 5 minutos de subida (ou decida). O máximo que se pode obter desse decurso de tempo, onde não importa sua pressa, é um conforto momentâneo para o isolamento absoluto e informações sobre o clima. Contudo, desde a inclusão dos celulares em nossa relação cotidiana - com destaque ao momento em que o sinal deixou de ser avesso às frias paredes de alumínio gauvanizado dos elevadores 0 as interações de ascendência e descendência ficaram mais impessoais. Hoje, por exemplo, tive o privilégio de pegar um elevador lotado na UFRJ quando ia para a aula. Algumas pessoas visivelmente dormiam em pé, e eu seria uma delas se uma conversa não tivesse prendido minha atenção. Ao meu lado havia uma senhorinha que conversava com a mãe ao telefone, sobre uma criança. Segue a reprodução fiel das palavras que meus ouvidos viciados formaram do diálogo surreal. Lembrando que só ouvi um lado da conversa:
"Não mãe, ela não tem nenhum problema psiquiátrico... podem fazer os exames que forem não encontrarão nada... o problema dela não é psiquiátrico."
TELEFONE
"Mãe?"
TELEFONE
"Mãe?"
TELEFONE
"Mãe, Dona Maria Cecília, estou em um elevador a senhora vai me deixar falar?"
TELEFONE
"Há leis hoje que não permite coisas assim, não adianta...'
TELEFONE
"Ela está sofrendo uma obsessão, todo mundo sabe, todo mundo vê isso."
TELEFONE
"Exatamente isso que Ele quer, Ele quer fazer a festa, é só a gente descuidar. Isso é obra do Inimigo e Ele quer exatamente isso, que enfurnemos ela num hospício aí mesmo é que Ele vai fazer a festa. É só o que Ele tá esperando, que a gente comece um tratamento qualquer."
TELEFONE
"Não podemos deixar isso, não vou permitir."
TELEFONE
"Estou trabalhando nisso. Vou entrar com um pedido judicial para que o NOME INCOMPREENSÍVEL fique com a guarda dela por enquanto até que isso...
*PIN* 6º Andar *SLOCHT* porta abrindo
"Dá licença?!"
E fui retirada da conversa antes de saber o que seria da menina, do espirito obsessor, do Inimigo, do Ele, do NOME INCOMPREENSÍVEL, da justiça e do hospício... fiquei sem saber onde terminaria aquela toca de coelho do absurdo. Saí do elevador, no 7º, agradeci à ascensorista com a nítida sensação de que esta mulher já ouviu coisas que colocariam qualquer replicante de cabelo em pé e decidi que nunca mais falarei ao telefone no elevador. Dessa experiencia tirei algumas lições: não se pode, por lei, colocar pessoas possuídas pelo Inimigo em hospícios, afinal é exatamente o que Ele quer; não se deve permitir que se dê a guarda de alguém para uma pessoa que acredita fielmente que um problema, se é que ele existe, é fundamentado no demônio.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Meu nome é Lang, Thomas Lang


Imagine um ex-combatente da inteligência britânica que, aposentado, faz pequenos bicos de vigilância e vai (sobre)vivendo como pode. Um apartamento simples, nenhuma comida na geladeira, algumas pessoas nas quais pode confiar e alguns drinks esporádicos. Agora imagine isso tudo com muito senso de humor e altas doses de humor negro.

Essa é a proposta de O vendedor de armas de Hugh Laurie. Uma trama que conta como Thomas Lang, ex-militar da inteligência e um bon vivant de carteirinha, se envolve em um complexo esquema de tráfico internacional de armas que envolve um grande empresário/traficante de drogas, oficiais do exército americano, um departamento do Ministério da Defesa da Grã Bretanha, vendedores de arte, um grupo de revolucionários, um grande vendedor de armas e muitos personagens mal encarados e mal intencionados.


O protagonista, uma mistura inusitada de Ed Mort, James Bond e Gato Fedorento consegue emprestar à trama, simultaneamente, sua visão pessoal dos acontecimentos e o apanhado de fatos que vão conduzindo o leitor pela história deixando os rastros para ele criar sua própria opinião sobre o que está, afinal, acontecendo. O humor, por vezes, ácido dá um tom leve e inusitados aos acontecimentos mais chocantes, sem que com isso o leitor fique entorpecido por uma história sem grandes rompantes.


Um livro que me fez ver que além de bom ator, de drama e comédia, Hugh Laurie tem grande talento para a literatura. A influência de sua carreira, contudo, é nítida desde a construção dos diálogos até a menção a clichês do cinema ou pela própria escolha dos cenários. O que em momento algum decepciona, pelo contrário, ajudam na formação da narrativa e contribuem para que a leitura tenha um ritmo “cinematográfico”. Um livro de 2 horas de duração.


Indicado e recomendado para leitores assíduos que gostam de tramas elaboradas, viradas e, porquê não, romances impossíveis/imprevisíveis, mas também para quem está formando sua primeira biblioteca que, já nas primeiras páginas, tomará gosto pela leitura e, talvez, não largue mais.



Características Editoriais

Tipografia: a escolha da tipografia ajuda na leitura uma vez que, além de estar em um tamanho agradável, tem um entrelinhamento muito generoso. Não vai acontecer, por exemplo, de você ler duas vezes a mesma linha.


Tradução: a tradução é, aparentemente, tão fiel ao original que, enquanto lia em vários momentos consegui imaginar o personagem pronunciando as palavras em inglês, em vários momentos, no entanto, valia uma nota explicativa, já que não houve adaptação de algumas expressões.


Material: EU AMO PAPEL POLEM. A leitura é muito agradável porque o papel é amarelado de boa gramatura (grossinho) e gostoso de tocar. Virar as páginas não é uma tarefa impossível, até mesmo quando se lê no ônibus.


Revisão: a revisão me preocupou muito. Não que existam absurdos completos, mas encontrei inúmeros deslizes que para um leitor um pouco mais atento, fazem falta. Mas (sem o a) houve (sem h), mudança do nome do local. Detalhes que podem, e devem, ser evitados.



AVALIAÇÃO FINAL: RECOMENDO A LEITURA.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Nova proposta... será que vai?

Cônscia de minha ausência plena e absoluta do mundo virtual, muito mais em virtude da absoluta falta de tempo para ser autora de meus próprios textos do que por desgostar da virtualidade, resolvi que vou unir o útil ao agradável e vou tentar manter ao menos uma postagem semanal, às sextas-feiras com a resenha de um livro que eu tenha lido durante a semana.

Disponibilizarei a resenha e eventuais comentários que tenha feito, posteriormente no Skoob. Será uma forma de organizar minhas leituras.

Não se iludam, essa é uma tentativa de exercitar minhas resenhas, afinal farei muitas ao longo do mestrado. =) Começarei com o livro O vendedor de armas do Hugh Laurie. Portanto, até amanhã ;)

sábado, 1 de maio de 2010

A morte do pássaro

Havia um filhote de Sabiá que tomava água de um bebedouro pendente de um telhado. Bebia água, voava e voltava... era doce aquela água que saía das falsas flores cor-de-rosa desbotado. Sorvia e voava despreocupado, ignorando o gato à espreita, apenas observando o movimento. O gato o pegou e foi presentear sua dona. Quem não quer um pássaro? Desesperada, a dona foi acudir o pássaro ensanguentado que se debatia. Limpou a ferida, tentou estancar, separou um pouco de comida e água em uma caixa, pegou algodão e improvisou um pequeno ninho, mas o pássaro não saía de sua mão. Se existe algo angustiante é a certeza do que ainda está para acontecer. E, naquele momento, ela sabia exatamente o que aconteceria. Não tendo mais o que fazer, confortou o pequeno pássaro na palma de sua mão, acariciando sua cabeça. Naquele instante o pássaro estava entregue à carícia, aninhado, naquele instante não havia mais pássaro. E ela viu, pela primeira vez, em suas própria mãos, as mãos de Deus.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Nenhuma boa ação passa impunemente...

Da primeira fez que ouvi essa expressão sorri e ri e não entendi nada... Saí com aquela cara de auto-confiança fingida e segui meu caminho. Apenas hoje consegui compreender seu verdadeiro significado... Mário Prata tem uma crônica na qual fala sobre compreender o movimento da terra e o quão a expressão "pôr-do-sol" está equivocada. Acho que hoje, eu descobri o levantar da terra. Seis horas, Niterói, verão, ponto de ônibus em frente ao Plaza. Aguardava um ônibus para ainda mais longe e ouvia música, um pouco alte de mais para não ter de escutar as pessoas ao meu redor - ou para não ter de escutar a mim mesma... Entrei, sentei e dormi. O calor e o engarrafamento me acordaram e preferi só ficar cantando no meu *mute*. Alguns minutos depois, paramos e subiu uma senhora idosa. Imediatamente me levantei para dar lugar à senhora.
  • Acho que uma pequena pausa na história é necessária. Minha mãe sempre me educou para respeitar as pessoas e fazer gentilezas, mas ceder meu lugar na condução não é das coisas que eu faço por ser educada e sim por ser humana...
A senhora sorriu, constrangida por estar me "tirando do meu lugar" e sentou-se aliviada. Fiquei em pé por alguns minutos até que uma menina saltou. Devo ter ficado sentada por alguns minutos e um senhor, talvez mais idoso do que a senhora de antes e, sem dúvida alguma, bastante humilde, entrou no ônibus. Imediatamente me levantei novamente. O senhor me olhou sem compreender, hesitou e falou: Não precisa levantar, filha, eu sentava mais atrás. Sorri e insisti que ele tomasse o lugar. Gentilmente ele se ofereceu para segurar minha sacola de pão. Novamente não esperei muito e vagou o lugar atrás da cadeira dele. Sentei e pedi a sacola. Ele se virou, segurou o meu braço e disse: Muito obrigado. Segui viagem... cantando sem som e dançando dentro de mim mesma. Quando estava prestes a sair do carro o senhor se vira para mim e com suas mãos trêmulas, me dá três balas: menta, iogurte e doce de leite, me deseja um bom descanso e sorri - sem mostrar os dentes - com todo o rosto, enrugando os cantos dos olhos e o meio das bochechas. Aprendi algo hoje... ... que espero não esquecer.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Olhos de ressaca

segunda-feira, 1 de junho de 2009

...

Essa merece ir sem post associado!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Homenagem ao dia do orgulho Nerd

Nesta segunda-feira, 25/05 foi comemorado o Dia do Orgulho NERD.

Para quem não sabe, NERD não é só aquele cara esquisitão que senta no fundo da sala e te dá cola no dia daquela prova impossível de matemática, que ajuda na configuração do seu PC ou que é o maior fera num jogo super-impossível mega-boga. Nerd é aquele cara que pode ser tudo isso, ou não, mas que antes de mais nada, se amarra em seriados, curte ler, descobrir coisas inusitadas da internet e estar conectado com a Vida, o Universo e Tudo o Mais... =)

Mas voltanto... na segunda-feira comemorou-se o dia do orgulho nerd e é em homenagem a ele que redijo este post.

Quem vive em transito, como eu, sabe que muitas coisas divertidas e inusitadas podem acontecer quando não estamos aborrecidos demais com o sistema de transportes urbanos. Essa semana uma dessas coisas inusitadas aconteceu. Para variar, estava eu aguarando as Barcas no terminal de Niterói quando ouvi do rapaz que estava em pé ao meu lado as seguintes palavras:
- Isso... agora você tem de aguardar dois turnos, porque o dano foi crítico.

Inicialmente achei tudo muito suspeito. Porque o rapaz estaria mestrando para si mesmo um jogo de RPG? Olhei para ele e descobri, então, que ele estava ao telefone. Continuei observando tentando descobrir O QUE raios ele estava fazendo e de fato, depois de alguns minutos de observação descobri que sim, ele estava mestrando RPG, pelo telefone em plena Baia de Guanabara! Ao que pude perceber, pelas inúmeras ligações, os jogadores também estavam em locais diversos e contatavam seu mestre para mover-se, avançar no jogo e receber suas recompensas em XP.

Fiquei fascinada! Há muito não via um grupo tão dedicado... um jogo de RPG por teleconferência é muito orgulho NERD! E por isso dedico este post - e dou meus parabéns pelo nosso dia! - para o mestre das Barcas, o rapaz desconhecido que conseguiu ilustrar direitinho que ser NERD é uma tarefa para qualquer hora, local e dimensão!

Para completar a postagem vai a dica do Filme NERD do dia: Mulher Nota 1000

sábado, 23 de maio de 2009

O Ofício do Tipógrafo

Alguns poucos - e bons - devem saber que sou estudante de Produção Editorial da UFRJ. (Não, não somos especialistas da parte de "editorial" dos jornais). Os que se formam em produção editorial, carinhosamente chamados Produtores editoriais, se dividem em dois grandes grupos: os que são apaixonados por livros (gostam de ler, gostam do ambiente de livraria, curtem um design bem elaborado, fazem bibliotecas etc.) e os que são completamente aficcionados por livros (grupo no qual me incluo)

Os aficcionados por livros têm algumas particularidades:
  • compram livros compulsivamente;
  • compram mais de uma vez o mesmo livro - sem perceber;
  • colecionam coisas referentes a livros - fotografias, designs, marcadores de páginas;
  • gostam de sentir o papel, estimar sua gramatura, a tipografia, se aquela opção de grid foi boa ou não;
  • compram livros que versam sobre livros - A Forma do Livro, O Design do Livro, Como Projeter o Livro;
Enfim, os aficcionados por livros dedicam ao livro uma parcela significante da sua vida e de sua paixão (ou raiva - utilize a terminologia que melhor convir). Minha última aquisição de livros -que-tratam-de-livros foi justamente o "A Forma do Livro" (Ateliê Editorial) obra que versa, entre outras coisas, sobre os aspectos gráfico-visuais do livro. Mas, retornando aos meus projetos... obviamente me baseei fortemente em toda a bibliografia que, com o tempo, adquiri para realizá-los, mas foi uma parte simbólica do trabalho que REALMENTE me tirou do sério.

Recentemente, consegui de formas escusas um CD com mais de 900mb de fontes. (Para os pouco informados um arquivo de fonte - desses que você tem instalado como default do seu computador, a Times New Roman, por exemplo, "pesa/mede" 400k, logo, faça as contas). E copiei para meu computador aquele sem-fim e possibilidades tipográficas afim de, eventualmente, em algum dia de muito bom humor, analisar cada uma e fazer um "indice" fontes.

Ok, o que eu não pensei naquele instante foi em quantas fontes eu teria de ver até escolher efetivamente a que eu iria utilizar nos meus projetos. Para "facilitar" um pouco as coisas, resolvi hierarquizá-las de forma a tornar mais viável o trabalho de analisá-las. Logo de cara esbarrei com um problema: quai serão meus critérios? Bom, apelei novamente para a bibliografia e determinei que separaria pelo modelo clássico (romanas, lapidárias, bodonis, egípcias, caligráficas e fantasia) e logo nos 42 segundos iniciais já vi que essa classificação não daria bons frutos, pois tenho lapidares levemente arredondadas, caligráficas belas e borrões-de-gente-que-escreve-de- qualquer-jeito, fontes góticas com e sem serifa e as malditas fontes iconográficas - que na hora da seleção de fontes, só atrapalham nossa vida.

Optei por uma seleção diferenciada, seriam grandes grupos de serifadas, não serifadas, caligráficas, fantasias, iconográficas e numéricas e em cada um deles sub-grupos determinando exatamente o que eu quero. Certo, primeira etapa concluída, aí você acha que é mole, mas não é, depois você tem de abrir cada arquivo de fonte e ver, uma a uma, qual é de que tipo para, só assim, direcioná-la - resumindo - a experiência massacrante das fontes!

Quando minha paciência estava no limite do tolerável parei, tomei um mate e fui dormir, pensando em quão sacal deveria ser o ofício de um tipógrafo: determinar que fonte vai produzir, seu estilo, cunhar, calcular. Depois me dei conta de que é por isso que existem tantas fontes por aí sem família... faltou saco para criar herdeiros!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Conversas com a depiladora..

Narro hoje uma realidade ítima feminina da qual os homens, provavelmente, nunca se deram conta ou sequer desconfiavam. Falarei das conversas com a depiladora. Apenas a ideia de ser depilado com cera para muitos homens já é muita informação e para esses - recomendo - passem por aqui amanhã, quando traterei do ofício do tipógrafo.

Se você continuou, parabéns! Vamos então tratar deste, que é um assunto deveras interessante. A conversa com a depiladora. Da primeira vez que vamos à depilação - obviamente indicada por uma amigona sua - o papo se reduz a:
  • Primeira vez que faz depilação?
  • É... eu usava um produto (troca) eu costumava raspar (troca) eu descoloria (troca) sou naturalista! Pq... dói?
  • Não... claro que não. *Olhar indiferente* Estica essa perna e dobra essa...
  • Ah.. até que é gostosinha essa sensação, quentinha... você passa e depois ti*&@¨$&¨#(@*$&¨%*&@¨$ PUTA Q )(@*(&%&*¨$ CARA)(@(*&%(*¨¨#()@ FILHA DA (#)(*&$&¨W&@(E*
A pessoa sai, moralmente destruída, com a certeza absoluta de que nunca fora tamanhamente violada em sua intimidade na vida! Paga a conta cabisbaixa e, fatalmente, sai dizendo que não vai voltar. Até o momento em que a vermelhidão e a irritação passam e dois, três, cinco dias depois a perna está lisa, macia e perfeita... Resignada a pessoa se sente compelida a voltar apesar de toda a dor e "humilhação".

As conversas seguintes não são muito diferentes, com breves comentários dispersos sobre o clima e sobre (se o pedaço de carne a ser escaupelado atender os requisitos necessários) piercings e tatuagens. Você pensa que o auge da intimidade - além do fato dela ver de perto partes que você não verá - é quando conversam sobre os eventuais filhos.

Hoje cheguei a outro patamar de relacionamento com minha depiladora - de fato, depois de um tempo sua mente começa a se adaptar e a dor não é tão excruciante. Estávamos conversando naturalmente, falávamos sobre as últimas da "novela das 8" e sem aviso prévio começamos uma discução acalorada sobre a política assistencialista do país e a vergonhosa situação em que estávamos, tudo muito bem fundamentado.

Saí do centro de estética um pouco mais questionadora do que entrei e formulei uma nova teoria:
Depiladoras são, mal comparando, como os tutores gregos. Sabiam tudo da anatomia ítimas de seus assistidos, mas fiziam-nos pensar em coisas além de seu próprio umbido bem depilado.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Coicidências... ou não.

Ainda durante o Bon Dia Brasil, mas na edição de hoje - 21/05/2009 - o encadeamento lógico mais lógico dos últimos tempos.

Uma matéria falando sobre o divórcio e como está tramitando no congresso um projeto de lei para sobrepor a necessidade incoerente do tempo de separação para que seja, de fato, concedido o divórcio para o infeliz casal.

Acredito que a justiça criou esse tempo de "separação" na esperança de que as pessoas se arrependam e reatem. Da minha, breve e pouca, experiência pessoal é durante a separação que os maiores conflitos ocorrem. É quando, são reunidas as declarações de bens, quando é iniciado o penoso processo de partilha, a venda do imóvel, do carro... emfim é quando o "Meu Bem" vira o "Meus Bens". Não obstante, depois de todo esse processo e quando os ânimos estão menos acalorados, o casal consegue perceber o que deixou para trás e, eventualmente, começam a reconstruir - não mais como CASADOS, mas como namorantes.

Após esta reportagem sobre o divórcio começou a repotagem da série sobre Paquera. De alguma forma, desnorteante, faz sentido... A matéria foi sobre a paquera em cidades do interiror, o namoro de pracinha, o encontro depois da missa, a troca de olhares. Quando penso nisso penso se não vale a pena mudar para o interior.

Sobre o post de segunda-feira, entendi, finalmente, o porque da insignificante "notinha" sobre a aquisição da Sadia. Como já disse a comentarista de enconomia do jornal é a Miriam Leitão e, absolutamente, qualquer assunto que envolva a economia do país - em qualquer grau - tem de ser friamente analisado por ela antes de integrar a pauta propriamente dita. Pois bem, na terça-feira houve não só uma matéria sobre a fusão, como comentários e análise econômica de quem, Miriam Leitão. Não se dá ponto, sem nó.

Deixo vocês meus (zero) leitores com uma reflexão? A música "Solteiro no Rio de Janeiro - Tony Garrido" é clara. Mas como fazer para não ficar sozinho sem gostar de praia ou "baladas"?

terça-feira, 19 de maio de 2009

Coisas que nos assustam por aí...

O post de hoje vai ser dedicado, especialmente, a algumas coisas realmente atípicas que acontecem muito frequentemente na vida de alguém que presta alguma atenção nas coisas ao seu redor.

Todos os dias quando acordo (não tenho mais o tempo que passou... ops contexto errado) a segunda coisa que faço - sendo a primeira alimentar o Gato - é ligar a TV no RJTV e experimentar o jornalismo refinado das primeiras horas da manhã.

O início oficial do jornal se dá lá pelas 6:45 da manhã com uma breve apresentação do RADAR RJ na qual Admilson Ávila reporta ao insone/sonâmbulo telespectador as condições do trânsito - geralmente muito boas, devido ao horário - a previsão do tempo para o dia e as últimas do futebol carioca. Não me pergunte qual a hierarquia adotada para a definição da pauta, mas me parece que é baseada completamente no sistema de postagem do Twitter - o repórter só tem 140 caracteres para dar cada notícia, estanques e sem qualquer vínculo com a anterior.

O jornal acaba às 7:13 e depois de 2 minutos de intervalo, começa o Bom Dia Brasil - o Jornal Nacional mais bem elaborado - que traz as notícias que verdadeiramente "importam"(?). Normalmente com comentários de economia por Miriam Leitão (qualquer dia farei um post dedicado apenas à Miriam Leitão...) e políticos por Alexandre Garcia (outro que merece um post). Normalmente eu saio de casa exatamente quando do final do RJTV - malditos horários da faculdade que nem deixam que nós, alunos de comunicação, nos informemos - mas hoje, especialmente fiquei mais um pouco e vi o Bom Dia. Não sei se por sorte ou por azar.

Sei que, no meio da transmissão, como uma matéria de menor importância e que não merece destaque - quase como um informe publicitário inconveniente - menos importante que a matéria sobre "Paquera no Rio de Janeiro", eles soltaram a bomba: Perdigão adquire Sadia. Não sei se aos olhos alheios a notícia também pareceu tão estrondosamente grande para merecer tão pouco destaque, mas o fato é que no mercado granjeiro brasileiro existem três grandes concorrentes: Sadia, Perdigão e Rica. Esta última com, definitivamente, a menor fatia do mercado. Não seria estranho imaginar que esta notícia balance o mercado e a balança comercial brasileira e dê algum trabalho para o CADE por algum tempo.



Imagem por ECONOMÁTICA

Para aumentar minha desconfiança sobre o quão estranho seria esse dia, pela primeira vez desde que eu faço a travessia Rio-Niterói, pelo agradabilissimo sistema de transporte aquático (definitivamente ganhará um post próprio), eu vi meu signo no informe astrológico da "Programação Digital Aleatória Sem Som" das Barcas. Era um verbete simples, direto e emocionante sobre aceitar meus erros e agarrar minhas oportunidades de aprender.

Algo realmente está mudando no mundo... e não tem nada haver com a Gripe Suína, a Crise Econômica ou a saúde da Dilma.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Um longo verão...

Os posts acabaram em uma morte e começam em outra.

Nesta terça-feira (17) morreu, aos 71 anos, Clodovil Hernandes - ex-estilista, ex-apresentador de tv, ex-rico e até então, político. Morreu o que se pode chamar de boa morte, simplesmente acabou. Obviamente não sei se sentiu dor, o que torna um tanto pernicioso da minha parte falar que ele morreu bem, mas morreu em casa (acredito que já não tivesse jeito quando levaram ele para o hospital) e não entrevado ou definhando aos poucos (como é o caso de outros políticos).

Não sei ao certo porque levantei esse tema ou porque da infeliz coicidência de voltar a escrever em um episódio de morte. Mas senti vontade de escrever hoje... quero contar um pouco do que tem acontecido no eixo rio-niterói (hihihih), quero simplesmente falar.

Também por coicidência hoje, às 8:44 da manhã, terminou oficialmente a estação predominante do ano o Verão... e minha melhor amiga voltou de terras tão tão distantes. Parece que as coisas estão se encaixando e isso me dá voltade de voltar para essas bandas.

Esse foi um mero post introdutório e cheio de mto pouca coisa para dizer - acho que a inspiração vem mais do fato de as aulas voltarem - mas espero dar uma certa continuidade aos servços... sem sabe regularmente.

Para os que ficam, deixo uma teoria, ou melhor uma reflexão:
  • Por que as placas de alguns brinquedos e equipamentos eletrônicos dizem: "Não recomendado para pessoas cardíacas"? Por acaso existem muitas pessoas não cardíacas por aí? Tipo, pessoas que não tenham coração, literalmente?

domingo, 20 de julho de 2008

A Morte de Dercy e outras coisas...

Ontem, por volta das 22h, estava realizando a checagem rotineira dos meus e-mails e descobri que Dercy Gonçalves... a musa dourada do baixo calão havia partido dessa para uma mais engraçada. O choque foi grande... o quarto foi ficando pequeno, pequeno (como aquela sensação de andar de avião) até ficar do tamanho da tela do computador do Dennis.

Não vou dizer que foi beeem uma surpresa, foi mais uma derrota pessoal. Sempre tive a teoria de que quanto mais bobagens uma pessoa fala, mais tempo ela sobrevive e essa minha crença sempre foi fortemente comprovada por esta pequena Sra. que agora morreu... Seu velório (que vai durar dois dias) está sendo na ALERJ e o governador decretou luto oficial de 3 dias. PQ?
pq LUTO oficial? Garanto qualquer quantia que, apesar de achar a piada sem graça, Dercy iria querer uma celebração com muitas gargalhadas e não luto oficial... Sr. Governador sujiro que por 3 dias o Sr. proibisse as pessoas de ficarem tristes! (Sugiro que começe enviando um memorando à PM...)

Seguindo a corrente vou entrar na homenagem e dizer um palavrão para ela...
- Prostituvagabiranha -
Pronto... a maior palavra e ofensa pessoal que pude exprimir.

Outro assunto...

Há três dias atrás eu fui entrevistada pelo IBOPE para a pesquisa de preferência dos eleitores...
Fiquei realmente feliz. Eu sou a primeira pessoa que conheço que foi entrevistada pelo IBOPE e, por mais que continue achando que eles inventem a maior parte dos números... sei que, pelo menos, eles se dão ao trabalho de colocar alguns pobres coitados na rua - no sol infernal que está fazendo esse inverno - para perguntar a opinião de uma parcela insignificante da população que, por fim, não vai concretizar-se nas urnas. Foi uma experiência única (em todos os sentidos possíveis) que, COM CERTEZA, eu não vou esquecer... estou até pensando em realmente votar com seriedade essas eleições.

sábado, 21 de junho de 2008

Aventuras com Papel Paraná

Ontem, mais uma vez, fui a compra de um Papel Paraná.*

                           * para aqueles que não sabem o que é um papel paraná é
                              uma grande folha de papelão cinza que, entre outras
                              coisas que não consigo me lembrar agora, serve para
                              fazer as pranchas dos trabalhos do Bruno (Professor
                              de Processos Gráficos).

Primeiramente, fui a uma papelaria-mercearia aqui pertinho de casa, na Rua da Passagem, toda empolgada porque dois dias antes a dona tinha me dito que chegaria papel Paraná em dois dias. Chegando lá ela diz pra mim que ainda não chegou. Tudo bem... Saí cabisbaixa e com um cartãozinho da papelaria para "dar uma ligada antes de ir".

Percorri mentalmente todo o bairro de Botafogo e sinalizei algumas papelarias... caminhando e cantando e seguindo minhas imagens mentais.. fui atrás do papel.

A primeira papelaria ficava bem na esquina da Rua da Passagem com a Gal. Polidoro. O nome, se bem me recordo, é Ideal. Não sei pra quem... entrei ainda cheia de esperanças e disparei: Tem papel Paraná?  E o diálogo subseqüênte foi mais ou menos assim:
                  - Papel pardo?
                  - Não, papel Paraná?
                  - Papel Paraná-Pardo?
                  - Papel Paraná...
                  - Tem esse aqui... (me mostrando um papel pardo).
                  - Não moça, esse é papel pardo... eu quero paraná. É um que parece papelão.
                  - JORGE, tem papel cartão paraná?
                  - Só papel Paraná moça... não é cartão, não... (Eu começando a perder as esperanças)
   o Jorge: - Tem papel cartão..
para o tal:- Só paraná... conheçe?
                  - Já tivemos mas num tem mais não.
            
Saí. Simplesmente.
Passei pelo Hortifruti e continuei andando parei na segunda e perguntei, alta e claramente: PAPEL PARANÁ, TEM? (... pessoas se entreolhando como se fosse algo profano de se dizer...) "Tem não".

Continuei seguindo em frente. Parei na farmácia, cantarolei... pensei que a sandália iria machucar os meus pés e no meio de Botafogo entre numa papelariazinha pequenininha chamada galeria moderna e perguntei hesitante: Por acaso vocês não teriam papel paraná, teriam? e surpreendentemente eu recebi um "Sim!" Comprei colorplus, papel paraná e um cartão. Sai com uma sacola e um papelão gigante, desengonçada e com todo mundo olhando pra mim. Em 10 minuto mudei as dimensões de carro popular para uma mega pick-up cabine dupla. Desviando de alguns obstáculos e das rajadas de vento cheguei em casa. Estou deixando de contar aqui como foi difícil atravessar a rua pra contar como todo o explendor a provação final do pobre papel: entrar e casa e passar pelo chefão da fase, o gato.

Assim que despontei no horizonte do gato com aquele papelzão ele se ouriçou todo. Tentou atacar pela lateral mas o papel fugiu por trás e bateu no rabo dele ele virou e tentou dar uma patada e comer na quininha, mas eu parei com a palhaçada e guardei o papel atrás da cama.

É incrível como um papel pode te propocionar tantas aventuras...

domingo, 25 de maio de 2008

Obtendo ALGO da Telemar / OI

Esse post vai ser de Interesse Público, já que humildemente vai tentar cumprir essa função magnânima.



Há duas semanas atrás eu resolvi que iria dar fim a minha linha telefônica, bem como a minha internet Velox. E numa quinta-feira ensolarada (era quinta-feira dia 15 de maio), por volta das 15h, enquanto eu estava no trabalho resolvi ligar para o malfadado serviço de atendimento da telemar/Oi para agilizar minha vida visto que, no mesmo dia, eu ainda tinha de ir para o curso.

Liguei para o primeiro número que me lembrei (10331) e uma voz eletrônica irritante e muito pouco esclarecedora pediu para que eu respondesse a algumas perguntas. Perguntas essas que se não fossem respondidas como a maldita voz queria, ela se fingia de desintendida e perguntava tudo de novo... (triste). Ela não atendia ao comando CANCELAR  então eu só falei: OI FIXO. Ela pensou que eu queria uma nova linha. Menos mal... pelo menos eu iria ser direcionada para uma pessoa.

Me atendeu uma moçinha - para efeito de classificação a chamarei de P1 - que me perguntou o que eu realmente queria, além do meu nome, três primeiros dígitos do meu cpf e endereço residencial. Como se aquelas informações pudessem efetivamente fazer meu pedido ser atendido mais prontamente. Após um sem fim de indagações P1 me direcionou para o setor de QUALIDADE, que - POR DEUS - não tenho idéia do motivo de levar tal nome.

Aguardei por 1 hora e 15 minutos. Ouvindo o mesmo trecho de 3 minutos de música.

Desliguei o telefone pressentindo dor de cabeça. Liguei de novo... passei pela voz eletrônica e P2 me atendeu, perguntou meu nome, cpf e endereço e me encaminhou DE NOVO para o setor de qualidade.

45 mintutos ouvindo música...

A dor de cabeça veio, foi e veio de novo...e forte. Fui para casa. Chegando em casa E com muita dor resolvi que iria ligar mais uma vez. (Esse foi o momento masoquista do meu dia) P3 do setor de atendimento falou que iria MONITORAR minha ligação. 10 minutos depois e, ouvindo música, eu voltei a ouvir a voz de P3...

                      P3: Senhora, o setor de qualidade está realmente muito cheio, mas eu vou estar transferindo de novo sua ligação.
                      Eu: Ah... tudo bem... mas eu não quero ouvir música! Se eu quisesse ouvir música eu tinha ligado o rádio.
                      P3: (Silêncio) ...
                     
                      ..::Música::..

                      P3: Minha Senhora, realmente o setor está muito cheio e a espera média é de 2 horas. Se eu fosse a senhora eu estaria retornando a ligação um pouco antes de 21:20.
                      Eu: Ah tá... obrigada viu.
                      P3: (Tu, Tu, Tu, Tu)

A essa altura do campeonato eu já tinha perdido o curso mesmo, além de, como creio, vários neorônios. (Fritos pela dor de cabeça)

Algumas horas de sono mal dormidas depois eu retornei a ligação. Perdi o prazo das 21h da noite e liguei as 9 da manhã. INCRIVEL como muda totalmente de figura o atendimento pela manhã. De 0 a 10... 7,5.

P4 me atendeu no setor de atendimento (E isso não é obvio para a Telemar) e me passou para o setor de qualidade... 5 minutos depois eu fui atendida por P5, um jovem com voz empostada. 

P5 ouviu atentamene minhas lamúrias e me propôs diversas novas promoções e benefícios tanto para minha linha quanto para o meu Velox e aí, me disse a parte interesse público desse post.
De 6 em 6 meses o sistema da Telemar produz benefícios tanto para sua linha telefônica quanto para o seu Velox que vão desde pagar metade da tarifa até receber 200 minutos em ligões locais. Se você ligar de 6 em 6 meses vc vai receber um benefício... que talvez faça valer a pena permanever na Telemar.

Desliguei o telefone contente, com esperança renovada no que diz respeito a minha linha telefônica. Não cancelei... confesso, fui fraca, mas agora estou relativamente satisfeita.

Já com o provedor OI... são outros 500. Ou melhor outros 29,90. Que me recusei terminantemente a pagar.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

É um pássaro? É um avião?


Não, é a Super-Mulher-Motorista-Cobradora!


A alguns meses, creio que dois - para ser mais exata - a linha de ônibus 107 (Central - Urca) substituiu alguns de seus carros por carros sem espaço para o cobrador. Fazendo com que o motorista acumule as duas funções. E, por pegar esse ônibus diáriamente, começei a prestar atenção nos impactos que esta modificação/subtituição causou no já caótico percurso da conturbada viação.

A começar pelo ponto de ônibus. Não sei se realmente muita gente tem o que fazer na Urca, ou se é um ônibus do tipo coringa, mas não importa ONDE você queira pagá-lo o ponto sempre estará abarrotado de pessoas pouco - ou, por vezes, nada educadas. O fato é: há poucos carros na linha e, portanto, o tempo de espera médio é de 15 minutos. (O que talvez tenha alguma relação com a irritação das pessoas...)

Bom, depois da fila para entrar no ônibus, percebemos que não existe cobrador... e o motorista, pega o dinheiro, dá o troco, aperta o botão para liberar a roleta, vigia o trânsito e se preocupa com a hora, porque eles não tiveram uma margem de desconto com a substituição e continuam tendo de fazer Central - Urca em 10anosluz.

Mas ainda existem alguns carros que ainda possuem cobrador e foi nesse contexto que segunda-feira presenciei o seguinte diálogo entre o motorista (que deveria ter bem seus 60 anos) e a cobradora (MULHER):

                        - Caraca, ela já passou a gente. Corre cara, corre.
                        - Pode ficar tranqüila que eu vou prender ela no sinal.
                        - Como é que pode né, a mulher dirige e ainda cobra e passa antes da gente. É mesmo uma super-mulher essa aí. E ainda dirige hein...
                        - Ela ficou presa no sinal? Olha aí... (...) vou passar direto sem parar nos pontos pq aí eu fico mais longe.
                        - Não ficou no sinal... anda logo!
                        - Só vou parar no ponto se alguém quiser saltar...
                        - Incrivel mesmo...


Fiquei com essa conversa na cabeça, martelando por algum tempo, pensando sobre o que deve estar se passando na cabeça dessa cobradora - que evidentemente está se sentindo ameaçada de perder o emprego - vendo uma mulher motorista e cobradora sendo mais eficiente que ela.

Talvez por uma conspiração cósmica, na terça eu tive alguns afazeres que me obrigaram a pegar o devido ônibus em outro ponto e quem era meu motorista e meu cobrador? A tal mulher fantástica.  Resumindo bastante, de fantástica não tinha muita coisa... dava solavancos e raspava a marcha como qualquer outro motorista, não respeitava os sinais e corria bastante, como qualquer outro motorista. Mas, e daí o pulo do gato, não seguiu o mesmo itinerário que deve cumprir o ônibus da linha 107 (passar pela Senador Dantas). Ao invés de entrar na mal fadada rua (onde normalmente eu pego a condução) ela seguiu direto pela rua dos Arcos e entrou direto na Praia. Explicando toda sua eficiência do dia anterior.

Portanto, a idéia de retirar o cobrador do ônibus foi concretizada de maneira muito infeliz, ao menos nesse caso. O sistema funcionaria bem se todas as pessoas tivessem passes (vale-transporte) ou as catracas, como no Canadá, aceitassem moedas e emitissem o comprovante automaticamente (com o troco, se necessário).

Minha teoria, que pode ser encarada como sugestão, é de que deveria haver pontos de venda de bilhetes de ônibus (em bancas de jornal e/ou lojas, e na bilheteria do metrô) e os ônibus teriam que parar de aceitar pagamento em dinheiro. Só assim a fusão entre motorista e cobrador daria certo! Caso seja inviável, ou impensável implementar esse sistema, permaneçamos com os cobradores.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

A Perfect Day...

Depois de tanto tempo sem postar eu tenho até vergonha de chegar aqui sem muitas teorias para expor... Praticamente de mãos abanando - provavelmente porque alguma coisa pegajosa agarrou nelas - estou aqui de novo, humildemente, para falar sobre o dia de ontem. Tudo começou às 4:30da manhã... para falar a verdade, tecnicamente, tudo acabou às 4:30 da manhã. Depois de uma longa madrugada batalhando contra um trabalho de produção gráfica eu me despedia da cavaleira Thaís e abandonava a Távola Redonda para dormir... o sono dos preocupados. Duas horas depois, às 6, o despertador tocava, sem o menor ressentimento, para me lembrar que a tormenta ainda não acabara. Resumindo bastante foram mais de 45 minutos pra baixar um arquivo PDF do meu e-mail e mais 30 minutos para conseguir imprimi-lo, encaderná-lo e deixá-lo apresentável para o professor. Entregue o fardo, fui caminhando de volta para casa, com todos os movimentos condicionados porque, no fundo no fundo, eu ainda estava dormindo... Entrei, tirei os sapatos e as meias, desafivelei o cinto e dormir - profundamente - até 11:15. Com o ânimo renovado, fiz comida, tomei banho, almocei e saí, rumo a uma das coisas que eu mais me divirto fazendo na vida, enquanto não dava a hora de ir pro tabalho, bater perna na Saara. No metrô foi que eu percebi o quão maravilhoso aquele dia sería. Sentada ao meu lado (eu estava de pé) estava uma senhora de aproximadamente 60 anos e em frente a ela (também de pé) seu marido, um senhor beirando os 70. Ao longo da viagem eles se cutucavam, sorriam, se provocavam e mandavam beijos um para o outro. Achando aquilo mágico eu tentei disfarçar e sorri também, mas, meu disfarce durou pouco... a senhora olhou, cutucou meu braço e, quando eu olhei para ela, disse: "Isto, minha filha... é o amor. Quem disse que ele não existe? Ele tá aqui. (apontando para o marido e ela)" Eu sorri e respondi, simplesmente: "Que bom!" Mas lá dentro, o meu pensamento estava berrando: "Que bom... Isso é uma lição e uma esperança para todos nós!" Virando para o lado percebi um casal apaixonado e, logo que saí do metrô, um casal de crianças de mãos dadas... Com certeza estava em um filme romântico, então corri antes que a Reese Winterspoon encontrasse sua deixa, e fui passear no centro. É incrível como eu adoro andar no Saara. Normalmente eu odeio estar cercada de milhares de pessoas em um lugar quente e apertado, mas no Saara não... é diferente... é como se eu me sentisse livre, com todo aquele barulho, pessoas e mercadorias, é um lugar em que eu posso ser totalmente eu, sem ninguém me julgar por isso... onde eu posso entrar e sair da loja, pegar, devolver, testar e pensar sem pressão. Deu minha hora e eu fui pro trabalho, mas antes, dei uma passada na papelaria para comprar o Papel Paraná e um estilete para fazer o trabalho da faculdade. E, decerto, esse foi o ponto alto de comicidade do meu dia. A papelaria fica em frente ao Largo de São Francisco e eu trabalho na Treze de Maio, entre nós tem uma rua da Carioca e uma praça, e eu tive de caminhar todo esse percurso com uma folha de 1,00x0,80, inflexível e esticada. Agora, imagine andar pelo centro, com uma placa enorme. Imaginou? Essa era eu, caminhando, desviando das pessoas, sendo levada por rajadas de vento... O resto do dia foi totalmente padrão mas um padrão gostoso de viver. Vi o Ned e a Chuck, vi House e fui dormir... agora sim, o sono dos justos, dos satisfeitos, dos realizados e dos ansiosos... para que o amanhã seja tão bom quanto foi o hoje. Para não deixar passar em branco, formulei essa teoria meio meia-boca, mas que normalmente funciona para mim: Depois de um dia muito ruim, vem sempre um dia MUITO maravilhoso e mágico, para compensar. Mas, só se você não estiver ocupado demais amaldiçoando o dia anterior que vai perceber... Ah... vou começar também uma nova sessão no meu blog: Blogs Indicados... Vou fazer isso pelo menos 1 vez a cada 10 posts....

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Meu Tigre é um Dragão...


Bom, como podem perceber esse post vai ser dedicado inteiramente ao meu gato. E à sua incrível capacidade de perder totalmente as estribeiras.


O que me leva a ontem a noite...

Mais ou menos às 18:30 duas queridas amigas (Tatiana e Marina - minhas filhas preferidas), que eu não vejo há algum tempo mas com as quais mantenho alguma espécie de amizade há 10 anos, me convidaram para ir ao cinema ver Juno - um filme amável!

Me arrumei e, um tantinho antes do combinado estava no cinema aguardando... vimos o filme e decidimos, depois, que iríamos fazer uma pizza em minha casa, para colocar o papo em dia.

Passamos no mercado e compramos uma certa variedade de alimentos (massa para pizza, mussarela, blanquet, tomates, dois guaranás, um mate, um pote de sorvete napolitano e... casquinha) e viemos caminhando e cantando. Já na portaria avisei, de antemão, que tinha um gatinho e que ele não era muito convencional... ao contrário dos outros ele não é um objeto de decoração e para que então: NÃO TOCASSEM NELE!!!

Abri a porta e até aí tudo bem, o gato estava me aguardando no corredor como de costume - atrás de mim estava Marina - peguei o gato no colo e acariciei bastante, ela também o acariciou... contudo, quando surgiu ao fundo Ebs e todas as outras pessoas saíram do elevador ele se transfigurou em outra criatura. De amável gatinho de estimação virou um tigre protegendo seu território com unhas e dentes.

Eu tentei, em vão, abrir duas vezes a porta para acalmá-lo mas, cego de raiva, sequer distinguia meu cheiro e não me reconhecia por nada. Com medo de que ele atacasse os meus amigos, fechei a porta e pedi que sentassem no corredor por um tempo. Esse tempo durou umas horas... pq o gato não se acalmou.

Conversamos e comemos no corredor mesmo. Definitivamente algo que nos lembraremos com detalhes daqui a dez anos e, espero, sentados em um sofá sem um gato maluco impedindo que entremos em casa.

Mais ou menos meia-noite todos foram embora e restei eu para entrar em casa. A primeira tentativa - frustrada - envolveu o saco de tomates... eu abri a porta e desliguei a luz do corredor (imaginando que no escuro ele se acalmasse um pouco) entrei com a sacola de tomates na minha frente. Ele atacou ferozmente a pobre e inocente sacola do supermercado. Os tomates sairam rolando pelo corredor enquanto ele os atacava sucessivamente. Fiquei mais um tempo do lado de fora, mais uns 15 minutos, e tentei de novo... uma investiva bantante agressiva. Entrei com a sacola de um refrigerante e com o capacho revezando o que eu jogava em cima do gato para afastá-lo.

Resumindo... entrei em pânico. Totalmente lívida pelo fato de o meu gato - que dorme todas as noites na minha cama - não estar me reconhecendo. Liguei para os meus pais para me acalmar e ao término da ligação eu e o gato estávamos tranqüilos, mas com certeza minha dor de cabeça era fruto da pressão que foi às alturas! Ainda liguei para o Dennis e fui ler um pouco... relaxando para tentar dormir. O mais curioso é que: ao me deitar para dormir o gato subiu na cama e foi para o lugarzinho dele... lambeu meu rosto e dormiu.

Naquele momento eu notei que ele havia me perdoado. O que me leva a teoria de hoje. Meu gato trata minha casa como a casa dele e, portanto, só deverá entrar aqueles que ele aprovar, ou melhor, permitir. Isto dito, a lambida no rosto antes de dormir foi um: "Ok, eu te perdôo por ter tentado trazer pessoas estranhas para a minha casa. Mas... que isso não se repita."

E fomos dormir... tranqüilos.